A banda The Indelicates tem sido bastante comentada nos blogs afetos ao indie rock. O nome da banda já me interessou de cara. É provocativo como o som proposto pelo duo inglês formado por Simon Clayton e Julia Clark-Lowes, ex-Pippetes. Já se imaginou você se autodenominado de “indelicado”? Mas, no fundo é o que são os dois ingleses nas letras sarcásticas e cheias de referência ao mundo efusivo dos rockstars, como em “Heroin” e “We Hate the Kids”, presentes em American Demo(2008).O som de estréia da banda é considerado por muitos como indie rock. Mas, vai além disso, fugindo de enquadramentos mais caretas. É que os indelicados atiram para muitos lados. Tem desde o indie puro, com melodias alegrias, como em “Our Daughters will Never be Free” e “Julia We don’t Live in the 60’s”, até o rock desencanado e dançante de "The Last Significant Statement to Be Made in Rock 'n' Roll", passando pela mais hard “America”, com seu refrão ganchudo, e a delicadeza art-rock de "New Art for the People", com maravilhosa melodia.
Essa infidelidade a um gênero musical não tira, como poderia ter acontecido, a organicidade do trabalho. E isso é ajudado pela opção do duo de cantar parte das canções separadamente (em algumas delas exercitam um dueto), reforçando a graciosa diversidade sonora de American Demo, com destaque para a afinação de Julia. Sem querer ser indelicado, essa dupla, com suas melodias inteligentes e atitude musical, bota pra f...
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Nossos pobres ouvidos não estão muito acostumados a experimentações sonoras. Esse universo musical, infelizmente, fica restrito a um público que tem uma bagagem que passa, só como exemplos, pela erudição de Bach e Bruckner e a modernidade de Bartok e John Cage. Os europeus, com sua milenar história, não estranham os exercícios pouco convencionais que alguns grupos do post-rock(expressão ussada para tudo que se faz de esquisito nessa área) realizam.
Minha amiga Leilane, que tem a elogiável sede de descobertas musicais, já havia me alertado sobre uma cantora francesa chamada Camille. Me deu inclusive uns exemplares de composições da moça para que eu ouvisse. E me surpreendi com a qualidade do que foi apresentado aos meus também insaciáveis ouvidos. Muito boa essa parisiense, pensei cá com meus botões. Pois, a impressão positiva se confirmou no complexo Music Hole(2008), terceiro de inéditas dessa irrequieta artista.



Encontrei dEUS em um sebo. Resolvi encarar pelo aspecto despojado de sua apresentação e também porque gosto do desafio de me ver diante de novas situações. E dEUS não me decepcionou com seu gosto pela experimentação e por ser uma antítese da caretice. Descobri depois que dEUS era belga e tinha nascido na Antuérpia. Depois da boa impressão, contudo perdi o contato com dEUS. Isso foi em 2002.
