Mostrando postagens com marcador And you Will Know us by the trail of Dead. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador And you Will Know us by the trail of Dead. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de março de 2011

Bom gosto e explosão

Na década de 70 do século passado, muitas bandas mergulharam em viagens psicodélicas criando um som climático, com teclados imitando barulhinhos espaciais e instrumentação pomposa. Trilha sonora ideal para quem curtia ganja na paz, música mais cabeça e contracultura. Era o rock progressivo que invadiu as vitrolas tornando famosos nomes como Yes, Emerson, Lake and Palmer, Jethro Tull e o mais popular deles, Pink Floyd. Quem tem mais de 40 anos sabe que a história foi séria e teve milhões de adeptos, para desespero dos pais caretas. O gênero, que hoje parece datado, talvez tenha ganho, nesse início de ano, uma das mais belas e vigorosas homenagens feitas por uma banda em atividade. O nome do petardo é Tao of the Dead(2011), último álbum da irrequieta ...And You Will know us by the Trail of Dead.

Os texanos do The Trail of Dead nunca esconderam sua admiração pelo rock progressivo. Os seis discos anteriores demonstravam aqui e ali vestígios dessa paixão. Mas, a sonoridade ensandecida do grupo escapava, como enguia, de rótulos. É música contemporânea, complexa, barulhenta. Discos como o bom Madonna(2000) e a obra-prima Source, Tags and Codes(2002) eram exercícios musicais de rock mais próximos da experimentação do que do palatável, do convencional. Ganharam muitos admiradores, incluo-me aqui, e detratores em função disso. Com Tao of the Dead assumem com muita honestidade uma linha mais orgânica, classificável. Resolveram fazer um rock descaradamente progressivo. E de muito bom gosto e explosão.

Ouça a instrumental “The Fairlight Pendant”:



A pretensão resultou no disco mais coeso do grupo norte-americano. Há coesão nos arranjos da maioria das músicas, que se assenhoram de elementos clássicos do progressivo. Estão lá teclados e guitarras viajandonas, que remete invariavelmente ao Pink Floyd experimental do imprevisível Ummagumma(1969), com direito a barulhinhos espaciais e ecos. É o que se vê na boa “Cover the Days Like a Tidal Wave” e na envolvente, como uma espiral mesmo, “Spiral Jetty”. Está lá a psicodelia em momentos inspirados do álbum, como na poderosa e instigante instrumental “The Fairlight Pendant”, com seu ar épico e guitarras que lembram, repare bem meu amigo e sobrinho Danica, as intensas jams do Doors. E há, principalmente, muita porrada, uma parede sonora multifacetada, marca do grupo, que se encaixa perfeitamente na proposta do disco.

Esse é um disco raro e barulhento, próprio para quem tem as paredes dos tímpanos bem sólidas. As guitarras têm peso decisivo em boa parte das composições. Casos da excelente “Pure Radio Cosplay”, que é um emblemático cartão postal do trabalho. O clima progressivo CD está todo ali, como cartas postas sobre a mesa. Dos riffs alucinados às mudanças de andamento, a canção é um espelho da dedicação e da maturidade dos músicos que estão juntos, pelo menos a base, desde 1994. O multiinstrumentista e vocalista Conrad Keelly e o baterista e também guitarrista Jason Reece, fundadores do The Trail of Dead, convidaram os produtores Chris Smith(que assinou trabalho com Yeah Yeah Yeahs e Beach House, entre outros) e Cris Coady(produtor do primeiro disco da banda) para criar uma obra honesta e forte, com verniz nostálgico, mas que não se despluga dos dias de hoje.

Tao of the Dead é um álbum que, para muitos, pode soar linear. Ledo engano: esse é um trabalho que precisa de nossa paciência para ser compreendido em toda a sua essência. É sim rock progressivo na veia, mas possui detalhes e referências modernas que só serão percebidos depois de várias audições. E a banda tem lastro e história para merecer nossa atenção mais apurada. Essa riqueza é sentida no épico que dá título a segunda parte do disco (perceba: a primeira tem onze músicas sem pontuação de uma para a outra), uma sinfonia de 16 minutos cheia de surpresas. “Tao of Dead part two: Strange News from Another Planet” tem mudanças de temperatura feita em transições suaves, mágicas. É doce e amarga, ruidosa e atmosférica em instantes precisos. Uma grande composição, no tamanho e na criação. Um luxo para quem tem coragem e experiência. E isso ...And You Know us by the Trail of Dead tem de sobra.

Cotação: 5

Vá de progressivo:

http://www.filesonic.com/file/77910420/b2st48340239-demlanhboy.rar

Na falta de um vídeo do último trabalho assista clip de “Another Morning Stoner”:

terça-feira, 7 de abril de 2009

De volta ao começo

De volta as resenhas de disco, a primeira em 2009, depois de um longo e tenebroso inverno. E começo com o último de uma banda que sempre me agradou, And You Will Know us by The Trail of Dead, apesar da instabilidade criativa desses texanos. Acho superbacana o Source, Tags & Codes, discaço de 2002, aliás, o preferido – e com razão – dos fãs mais fiéis.

Os caras lançaram no início deste ano um trabalho chamado The Century of Self, no qual recobram, a meu ver, parte da energia que caracterizou o início da carreira da banda. Pra quem não conhece, os norte-americanos do You Will Know... primam por uma sonoridade multifacetada, onde guitarras distorcidas e barulheira sônica promove um inusitado e inesperado casamento com orquestrações e pianos delicados.

E não é que os sujeitos tomaram um chá de inspiração e se recuperaram das bobagens que produziram nos últimos três anos. The Century of Self começa com “Giants Causeway”, música instrumental de primeira, grandiloqüente e melodiosa, assim como aconteceu na abertura da já citada obra-prima Sources Tags & Codes.

O bom sinal anima o ouvinte. Até porque, as três músicas seguintes, “Far Pavillions”, “Isis Unveiled” e “Halcyon Days”, com destaque para a última, encontra a banda afiada, fazendo sua típica musica com muitas quebras de andamento, melodia pegajosa, arranjos redondos e buliçosos. Tem espaço até para citação da clássica Bolero, de Ravel, em uma delas, sem falar nas viagens psicodélicas que remetem aos loucos anos 70.

Lá pelo meio, o disco vai perdendo um pouco a força e ganhando apelo pop (!) quando entra no universo das baladas. Não que a banda tenha que ser sempre esfuziante, mas ela é mais eficiente quando faz barulho. Ainda mais com o agravante do vocal de Conrad Keilly, com timbre parecido com o de Perry Farrell, do Jane’s Addiction, não ser lá muito marcante. Mas, há que se chamar atenção para as lindas “Inland Sea” e “Ascending”, duas das melhores do disco.

Entre mortos e feridos, The Century of Self é um sopro de renovação dessa banda que ganhou lugar cativo no coração de muita gente. Mesmo não sendo uma brastemp, dá pra ouvir com gosto.

Cotação: 4

Vá lá no ctrl C ctrl V:

http://sharebee.com/54253d72