A impressão que eu tenho das pouquíssimas bandas suecas que conheço é de que aquela galera vive num mar de rosa. E vai ver que, num país com uma elevada renda per capta, pode até ser que essa sensação não esteja muito longe da realidade. Mas, tal sentimento me vem, sobretudo, pelo som alegre e ensolarado de grupos como a adorável e subestimada The Cardigans e agora deste Pacific!A quase dance “Number One”, música de trabalho de Reveries(2008), debut dos suecos, já anuncia a disposição dessa moçada de animar o ouvinte. Pra cima, do começo ao fim, o álbum passeia, sem medo de ser feliz, entre o dance, o synth-pop e o indie-pop. “Disappear” é um electro envolvente com direito até a castanhola no refrão. “Sunset Boulevard” é trilha sonora perfeita para manhãs ensolaradas, com sua elevada carga romântica e incurável, entendam, “brejeirice”.
Já “Runaway to Elsewhere” é uma música instrumental que aproximam Pacific! dos franceses do Air, com quem são muitas vezes comparados. Mas, não levem essa identificação muito a sério. A banda aqui em questão é menos densa e pretensiosa, apostando numa levada mais lúdica, como pode ser percebida na deliciosa “Hold Me”, um indie-pop-descarado.
Nem pensem em Pacific! para animar granes festas racha-assoalhos, mas, com certeza, o bom som que fazem cabe muito bem numa reunião como um belo combustível para um desejado e delicioso encontro alto astral entre amigos. Bem legal!
Ponto pacífico para a alegria:
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Nossos pobres ouvidos não estão muito acostumados a experimentações sonoras. Esse universo musical, infelizmente, fica restrito a um público que tem uma bagagem que passa, só como exemplos, pela erudição de Bach e Bruckner e a modernidade de Bartok e John Cage. Os europeus, com sua milenar história, não estranham os exercícios pouco convencionais que alguns grupos do post-rock(expressão ussada para tudo que se faz de esquisito nessa área) realizam.
Minha amiga Leilane, que tem a elogiável sede de descobertas musicais, já havia me alertado sobre uma cantora francesa chamada Camille. Me deu inclusive uns exemplares de composições da moça para que eu ouvisse. E me surpreendi com a qualidade do que foi apresentado aos meus também insaciáveis ouvidos. Muito boa essa parisiense, pensei cá com meus botões. Pois, a impressão positiva se confirmou no complexo Music Hole(2008), terceiro de inéditas dessa irrequieta artista.



Encontrei dEUS em um sebo. Resolvi encarar pelo aspecto despojado de sua apresentação e também porque gosto do desafio de me ver diante de novas situações. E dEUS não me decepcionou com seu gosto pela experimentação e por ser uma antítese da caretice. Descobri depois que dEUS era belga e tinha nascido na Antuérpia. Depois da boa impressão, contudo perdi o contato com dEUS. Isso foi em 2002.




